Há cerca de somente um século, os navios : Kasato Maru - em 1908; e Ryojun Maru - em 1910; trouxeram bem mais do que imigrantes japoneses para trabalhar nas fazendas de café, em São Paulo e no Paraná. Com eles vieram, permeando seus hábitos diários e a cultura geral, os ensinamentos do Budha Shakyamuni. Entre as várias denominações do budismo japonês que para cá vieram, àquela com maior proeminência era a Tradição Jodo Shin, que cultua o Budha Amidha.O Zen Budismo somente aportou em solo Brasileiro em meados da Década de 1960, ocasião em que o Sokan japonês, Ryohan Shingu Zenji inaugurou, no bairro da Liberdade em São Paulo, o Templo Bushin Ji, de onde passou a se dedicar ao trabalho de assistência religiosa, focada inicialmente apenas na necessidades da comunidade japonesa residente, mas logo abrangendo o interesse aupicioso de muitos leigos brasileiros. De imediáto a visão Zen Budista causou forte impacto nos ambientes intelectuais e científicos, principalmente naqueles voltados para a Filosofia e a Psicologia, mas também com significativa repercussão entre os Físicos, os Matemáticos e nas Ciências em geral. Os anos sessenta também se caracterizaram, além dos fenômenos migratórios desenvolvimentistas, pelo surgimento de outros movimentos, entre eles a Cultura Hippie e os Beatniks, que entre tantas outras maneiras de protesto contra a obssessão competitiva do modelo racionalista quantificador, apoderou-se de alguns Slogans, entre eles a palavra Zen como um Ìcone da contra-cultura, desta forma popularizando-a. De certo modo essa popularização divulgou o Zen Budismo, mas bem pouco contribuindo para aquilo que verdadeiramente lhe é intrínseco...Atenção Plena, desenvolvimento da paciência através da criatividade não egocêntrica e a desintencionalidade meditativa, entre outras possibilidades. De imediáto a fértil imaginação ocidental cercou o vocábulo de uma aura artística...assim "estar zen" ganhou a conotação equivocada de alhear-se, quase omitir-se da realidade objetiva. Isso acabou gerando uma visão estereotipada do Zen Budismo, como um caminho de evasão da complexidade da vida e dos seus problemas, quando o objetivo real é libertar o Sêr da ilusão e do sofrimento, aqui e agora, portanto incompatível com qualquer forma de evasão, inclusive o da esperança de algum dia abolir o conflito permanente que caracteriza a condição humana, além disso propondo que os seres visualizem, por sí mesmos, a natureza última da realidade em que se inserem. Refletindo longamente sobre estes fatos e sobre as possibilidades deste espaço na infovia, decidi aqui registrar os meus estudos e pesquisas, especialmente tudo o que oportunize uma melhor perspectiva da Universalidade do Zen budismo, desde o Sermão da flor no Monte Buitre, até os dias atuais onde, através do dedicado e fecundo trabalho de muitos monges e leigos, o BudhaDharma tem sido disponibilizado em todo o Continente Brasileiro. Em especial a minha motivação é a de ensejar um auxílio inicial a todos, que como eu, almejem desenvolver a percepção em níveis mais sutís do que aqueles a que as pessoas se acham comumente habituadas. Estou consciente das minhas inúmeras limitações, portanto rogo aos mais lúcidos que, sem condescender com as minhas imperfeitas conclusões, me auxiliem na tarefa a que me proponho.
Possam os seres vivos se beneficiarem dos méritos eventualmente gerados!Gasshô!!
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